Há quatro anos, ao fim da fase de grupos da Copa do Brasil, o atacante Fred era o jogador mais criticado da seleção — difícil não lembrar das piadas e comparações com um cone. À época, o então jogador do Fluminense havia cavado um pênalti na estreia, contra a Croácia, e balançado a rede de Camarões. Gabriel Jesus, nem isso. O jejum do camisa 9 na Rússia transformou-o no primeiro centroavante titular do Brasil a passar em branco nas três primeiras partidas de um Mundial nos últimos 40 anos.
Desde então, transcorridas dez Copas e sete diferentes goleadores — de Reinaldo, em 1978, a Luís Fabiano, em 2010, passando por nomes como Serginho Chulapa, Romário e Ronaldo (três vezes) —, nenhum jogador em que se depositava a principal esperança de gols da equipe havia decepcionado tanto neste quesito. E a marca negativa poderia voltar ainda mais no tempo, já que Valdomiro, centroavante de ofício, até marcou no terceiro jogo da Copa de 74, mas não era titular absoluto do time.
Embora não tenha o perfil de centroavante fixo — como o de Fred, por exemplo —, é inegável que Gabriel Jesus pode render mais na Copa como concluidor de jogadas. O jogador do Manchester City é vice-artilheiro da “Era Tite”, com dez gols, atrás apenas de Neymar (11). Assim, não é surpresa que o técnico saia em defesa do atleta, que convive com a sombra de Roberto Firmino:
— Artilheiro vive de fazer grande jogo — corrigiu, ao ouvir de um repórter que “artilheiro vive de fazer gols”.
De cone não dá para chamar
A comparação entre o criticado desempenho de Fred, em 2014, e o de Gabriel Jesus na Rússia aponta para algumas diferenças importantes. Embora tenha balançado a rede e finalizado mais vezes, Fred pega bem menos na bola do que o camisa 9 atual, como comprovam as estatísticas de passes recebidos e distribuídos — veja mais no infográfico ao fim desta matéria.
Além disso, Gabriel Jesus percorre mais metros a cada jogo e dá mais piques, justamente por atuar menos fixo na área — foi a falta de mobilidade de Fred, aliás, que rendeu as brincadeiras com um cone. Na última partida da fase de grupos, contra a Sérvia, a movimentação do centroavante deslocou a marcação e abriu espaços para a infiltração de Paulinho, que marcou após lindo lançamento de Philippe Coutinho.
Favorecido por uma equipe bem mais organizada do que aquela, treinada por Felipão, Jesus também foi “premiado” com uma assistência de lambuja nas estatísticas oficiais da Fifa. A entidade considerou um passe para o gol de Philippe Coutinho o domínio errado contra a Costa Rica.
— Quero ajudar com gols, mas se eles não saírem quero ajudar de alguma maneira — resumiu o atacante depois da vitória diante da Sérvia.

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